The Spell Brigade: Review

Magia, caos e muita cooperação em um roguelite frenético
Conheci mais um roguelite frenético no estilo survivors-like, tal qual Vampire Surivors e semelhantes, e vim contar o que achei do jogo até agora.
Lançado oficialmente em 29 de abril de 2026, após passar pelo Acesso Antecipado desde setembro de 2024, o título está disponível para PC e PlayStation 5, oferecendo partidas solo ou cooperativas para até quatro jogadores.

Introdução
The Spell Brigade, desenvolvido pela Bolt Blaster Games, é um jogo de ação que combina hordas de inimigos, evolução de habilidades e criação de builds. Além de enfrentar enormes hordas de criaturas e cumprir objetivos em equipe, os jogadores podem combinar diferentes feitiços para criar sinergias e builds cada vez mais poderosas.
O principal diferencial está justamente na experiência cooperativa, e o jogo também conta com fogo amigo, permitindo que seus próprios ataques, ou até mesmo de aliados, possam te atingir.
Mas fique tranquilo que após concluir com sucesso o primeiro mapa, você libera um pacto que te permite desligar o fogo amigo.
Jogabilidade e Mecânicas
É uma fórmula conhecida, mas com objetivos que mudam o ritmo. A estrutura de The Spell Brigade é semelhante às dos chamados Survivors-like ou Bullet Heaven: você entra em uma arena, enfrenta enormes hordas de inimigos, coleta mana (pontos de xp) e aprimora seus feitiços ao longo da partida. Conforme novas melhorias são obtidas, é possível desenvolver diferentes combinações e criar builds cada vez mais poderosas, transformando o personagem em uma verdadeira máquina de destruição mágica.
Porém, o jogo tenta ir além do tradicional “sobreviva o máximo possível”. Durante as partidas, objetivos de equipe aparecem pelo mapa e fazem com que os jogadores precisem se movimentar, dividir tarefas e adaptar suas estratégias enquanto continuam lidando com as hordas.
Com diferentes variantes para esses objetivos, o ritmo das partidas pode mudar constantemente, evitando que a experiência fique limitada a simplesmente circular pela arena enquanto os ataques eliminam os inimigos automaticamente. As recompensas pelos objetivos concluídos dentro do tempo limite são moedas (para upgrades permanentes na base) e aprimoramento de magias.

A cooperação é um dos pilares de The Spell Brigade. Como falei anteriormente, o jogo permite reunir até quatro jogadores na mesma partida, e os jogadores precisam dividir o espaço da arena, acompanhar os objetivos que aparecem durante a partida e decidir quando permanecer juntos ou separados a fim de lidar com diferentes ameaças. A construção das builds também pode ser pensada em conjunto, já que os jogadores podem aprimorar, modificar e combinar seus feitiços para criar diferentes sinergias.
Essa dinâmica fica ainda mais interessante por causa do fogo amigo. Porém, você poderá escolher um aprimoramento de cura para alguns ou todos os feitiços, cancelando o fogo amigo daquele(s) feitiços) específico(s).
Com a tela tomada por inimigos, projéteis e efeitos mágicos, é fácil transformar uma situação controlada em puro caos, e isso torna a comunicação entre os integrantes importante para evitar acidentes e coordenar os ataques. Quando um jogador é derrotado, ele não precisa necessariamente ficar fora da partida: sua morte deixa um cristal âmbar no solo que outro integrante da equipe pode se aproximar para ativar o sistema de reviver. Eles permitem trazer o companheiro de volta à ação, fazendo com que ajudar um aliado caído seja parte importante da dinâmica da equipe.
Feitiços e combinações
Durante as partidas, eles podem receber diferentes upgrades que aumentam atributos como dano, velocidade de conjuração, alcance, duração e tamanho. Porém, o sistema vai além de simplesmente tornar as habilidades mais fortes: também é possível aplicar infusões elementais capazes de adicionar novos efeitos aos ataques.
É nesse momento que a construção de builds ganha mais profundidade. Diferentes elementos podem ser combinados para criar novas infusões e modificar a maneira como os feitiços afetam os inimigos.
Cada infusão intensifica o dano e causam condições conjuntas. Essa variedade funciona especialmente bem, já que as escolhas feitas durante a partida determinam como o personagem vai evoluindo. Você não está apenas aumentando números, e sim escolhendo quais feitiços aprimorar e quais efeitos combinar para criar uma build capaz de lidar com as hordas cada vez maiores.

Personagens e progressão
Há 15 magos jogáveis até o momento, e existe uma boa variedade entre eles. Cada personagem possui características próprias e uma magia própria que recebe bônus específicos, fazendo com que a escolha do mago influencie diretamente a construção da partida.
Reginald, por exemplo, possui bônus relacionados à sorte e à obtenção de determinados recursos, enquanto Bryony recebe vantagens na coleta de experiência e possui uma magia própria com características diferentes. Já Balthazar tem uma proposta bastante voltada para a sobrevivência e o suporte, podendo até mesmo reviver companheiros enquanto está incapacitado.
Os personagens também não ficam todos disponíveis desde o começo. Novos magos são desbloqueados através de missões, que incentivam o jogador a experimentar diferentes mecânicas do jogo. Você encontra o mural com vários tipos de missões na base. É preciso, por exemplo, realizar determinadas ações, acumular uma quantidade específica de recursos, derrotar inimigos de maneiras particulares ou com magias específicas, ou cumprir objetivos para liberar novos personagens. Atualmente existem 14 missões específicas relacionadas ao desbloqueio de magos.
A progressão continua mesmo depois de desbloquear todos os personagens. Cada mago possui a Ascensão, um sistema que permite avançar sua progressão e liberar recompensas adicionais, incluindo novos trajes e modificações que podem alterar a magia inicial do personagem. Além disso, existem diferentes roupas desbloqueáveis através de desafios específicos, te incentivando a continuar utilizando cada mago e descobrir maneiras diferentes de jogar.
Para ascender um mago, você precisa jogar com ele até alcançar o nível 10, e então gastar 3300 moedas.
Outro elemento que aumenta a longevidade é o sistema de Pactos. Alguns desses modificadores aumentam a dificuldade das partidas em troca de recompensas maiores, permitindo que quem domine as mecânicas busque desafios adicionais. Os pactos são liberado após finalizar os quatro mapas, e ascender cada mago.
Visual e direção artística
Visualmente, o jogo aposta em uma direção artística colorida e estilizada, combinando personagens com designs cartunescos, criaturas variadas e cenários que servem como palco para as batalhas. Os magos possuem identidades visuais próprias, enquanto os inimigos apresentam diferentes formatos e características, ajudando a criar variedade mesmo quando dezenas deles aparecem simultaneamente na arena.
Um dos maiores desafios desse gênero é manter a leitura visual quando a tela começa a ficar completamente tomada por inimigos, projéteis, pontos de xp e efeitos. Eu digo que este título abraça esse caos, principalmente por causa da quantidade de feitiços que podem ser utilizados ao mesmo tempo pelos jogadores.
Apesar da preocupação em diferenciar visualmente os ataques e seus efeitos elementais, você consegue modificar a visibilidade de feitiços nas configurações.

Os efeitos mágicos também são um dos elementos que mais contribuem para a identidade do jogo. Explosões, raios, áreas de dano e diferentes efeitos elementais tornam cada batalha visualmente dinâmica, especialmente quando quatro jogadores estão utilizando suas habilidades simultaneamente.
Desempenho
Estou jogando no PS5 e posso afirmar que o jogo está impecável! Tenho zero reclamações, mesmo com dezenas ou até milhares de inimigos na tela ao mesmo tempo, junto de feitiços, projéteis e efeitos.
Durante o desenvolvimento e após o lançamento, a Bolt Blaster Games realizou diversas melhorias nesse aspecto. Atualizações corrigiram crashes, otimizaram projéteis e efeitos de explosão e também melhoraram o desempenho em situações com muitos inimigos fora da tela. O jogo ainda recebeu correções relacionadas à sincronização e estabilidade do multiplayer.
No cooperativo, a estabilidade também é particularmente importante, já que a experiência depende da sincronização entre os jogadores. Problemas como desconexões e situações em que jogadores ficavam presos durante determinadas transições foram corrigidos ao longo das atualizações.

Jogando solo x jogando com amigos
Joguei em ambos os modos e não há tanta diferença em relação à gameplay e progressão. Porém, posso apontar algumas observações:
Coop:
Todos os aliados conseguem upar ao mesmo tempo coletando os pontos de xp pelo mapa e preenchendo a mesma barra. Porém, acredito que o xp recebido seja dividido pelo número de jogadores na partida.
Quando você morrer, o aliado vivo deve entrar na área do núcleo de ressurreição para te reviver, e vice-versa.
Solo:
Você sozinho consegue manter a progressão, e se aumentar o ganho de experiência e alcance de coleta, consegue upar rapidamente.
Quando você morrer, consegue reviver logo em seguida.
Pontos negativos
Eu particularmente só tenho três pontos negativos sobre algo que me incomodou durante as gameplays:
Uma delas é que, caso você seja maluquinha por sides quests que nem eu, sentirá falta do recurso de fixar uma ou duas missões na tela para acompanhar seu progresso. Por exemplo, precisei sofrer 7 mil de dano dos meus próprios feitiços para liberar um mago, e eu nunca sabia o quanto já tinha causado durante as runs. Seu avanço só pode ser consultado no menu do lobby, em missões.
Outro ponto, é a consulta das missões pendentes ou não iniciadas. Todas elas ficam dispostas na mesma posição, e seria muito interessante caso tenha uma opção de filtro para ver quais delas estão em andamento no início, e as concluídas no final.
Por último, senti falta de identificar a quantidade de moedas que adiquiri em cada partida no Hub da gameplay ou no menu de pausa. Precisamos farmar uma certa quantidade de moedas para os upgrades, ou até mesmo realizar a ascensão dos magos, então saber se devo continuar a run ou se posso quitar a partida para comprar essas melhorias seria uma mão na roda.

Conclusão
Depois de jogar The Spell Brigade tanto solo quanto com amigos, fiquei com a sensação de que é um daqueles jogos que funcionam muito bem para sessões rápidas, mas que também conseguem prender pela vontade de continuar desbloqueando conteúdo. A experiência é simples de entender, mas oferece bastante espaço para experimentar e descobrir novas possibilidades durante as partidas.
No meu caso, os pequenos problemas de organização das missões não foram suficientes para atrapalhar a experiência. Eu me diverti muito, não obtive problemas de desempenho no PS5 e, principalmente, quis voltar para mais algumas runs... o que, para um jogo desse gênero, já diz bastante sobre o resultado.
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